...Eu vou correr pra ver se pego aquele ônibus lotado. Com ele, a esperança de um lugar que me caiba sentado. Assim, tornando-me escravo de uma possibilidade que compete com as possibilidades de outrem. Chego crer que o comum empurra-empurra é quase um golpe tático pela vaga dos sentados por aqui.
...Com um linguajado de escravo dos escravos. Que era digno de escárnio emocionou-me, talvez a todos. Como musica boa, tocada e escutada pela primeira vez, ainda que fosse uma questão tão familiar a todos do recinto.
...Sua aparência não era das melhores. Simpatia...? Talvez. Mas sim, sabia ser esperto, pois vendia chocolate, legalmente feito a viciar. O preço era só o troco da passagem. O sabor? Não provei. Infelizmente o cigarro me é mais importante. –Escravo! Sou e não nego. Tanto sou como um padre, escravo do caráter, que nem por amor é permitido desatinar. Tanto sou quanto uma criança, poupada da dor pela inocência, e, como se não bastasse, isso não representa nem um terço de vida de um individuo. Sou, tanto quanto o diabo é meu escravo e dependente de mim para existir, então ser escravo do mal que lhe constitui.
...Ao ser mesquinho: Nós o desafiamos a um confronto sangrento. Eu e essa metade ridiculamente manipulada pelos imponentes seres terreno. E no fim sairei vitorioso. Só em matar essa face medrosa e incapaz. Então, eu os pendurarei na porta de minha casa, em homenagem a esses cadáveres, cantarei trovas de escárnio. Como a um vampiro drenarei de ti toda a eternidade, e com a voz rouca direi: Do pó viemos com o pó iremos. –Ironicamente.
...Sou mesmo assim, Deus maculado, escravo do deus que nos convém não provar a existência de outros seres. E o que nos resta? Somente duvidas. Em fim, não saberei nunca quem é o escravo e o escravizador. Mas que no fim, promete-nos cerzir as almas ou cinda-las do corpo, e bem..., Em fim, seja como for. Então te perpetuar onipotente e benevolente? Oh, Deus! Onde estares se não na persistência derradeira das ondas dos mares? Ou como força da fé de um burro, que não agüenta o peso, mas vai até a morte. Se não for como um cosmo esta escandalosa abstração. Ai, sujeito, sujeito... Estares sentado num trono? Estares observando teu filho masturba-se? Estais? Estais sendo meu escravo? Estares com um raio na mão, esperando uma de suas filhas cederem ao orgasmo? Estares num maldito confessionário, junto de uma maldita reza de brancos, guardando um maldito sábado para louvar um maldito domingo? Como um deus entre tantos, eu maldigo-o! Mas como parte do corpo de um deus verdadeiro, eu clamo-te. Onde tu estás em quanto estou aqui, sentado neste inferno! Eu venci! Venci a mim e o diabo! E como um todo numa guerra, herdei do inimigo o pecado por mim conquistado.