12 de novembro de 2006.
O Di Giorgio solitário.
Aproximadamente nove e cinco da noite. Adal e
Donat ensaiavam junto, o sonho.
- Peraê que vo ver porque as luzes se apagaram. Acho que foi de
propósito. –Disse Adal levantando-se.
- Tá valendo! Num demora não, por
que se demorar podemos esquecer o aranjo.
Na verdade, essa não era a grande
preocupação de Donat, mas sim, ele não se ver protegido no escuro, sente medo.
- Que nada! Tem como esquecer não. –Então Adal foi verificar a energia.
Donat com seu violão
Di Giorgio empenhava-se ao Maximo numa canção de sua autoria. Cantar sempre
lhe tirava a visão do escuro, deixava
então de sentir um terror imaginário. Ecoava uma voz acutíssima e rouca no manto de escuridão que
encobria a oficina. A ressonância do amor platônico de Donat misturava-se ao
cheiro de madeira, cigarro, maconha e dos dóceis cahorros que jaziam por ali.
A
canção solitária acaba-se, momento em que Donat concebe seu amor numa outra
frase: “Sou um mundo equivocado avocando o amor”. Frase que lhe põe de volta a
escuridão da oficina.
Retira do bolso mais
um cigarro, traz na outra mão um celular cheio de luz e mensagens, e põe-se a
procurar pelo fósforo. Assim que acha o fogo para o cigarro, acha também o
vulto, companheiro teu, presente no teto preto passado. Declama para os olhos
do cão que lhe olha carente postado entre suas pernas: “Faça-se luz! E assim se
fez” E o fósforo obedece-o, a luz do âmbito não.
Tateando com o único
auxilio, o da chama do cigarro, volta-se para janela tentando pela fresta entender
o falatório agitado do portão. Deu pra se ouvir os passos exaltados de dona
Pomposa, e a sua voz que, beirava o irritante.
- Não, claro que não há permissão. –Pomposa aos brados.
- Meu querido, solte ela! –Adal socando-os
Ai, o grito penoso da ex-professora foi como
uma rajada de angustia. Deu pra traduzir isso em seu gutural. –Berrava inflamada: “Adaaal”!
Os tiros seguidos e
brasantes atingiram Adal, que antes ao grito de dona Pomposa, estava a socar
rosto de uns dos policiais que rendia a caridosa professora contra a árvore
escamosa e áspera.
Logo se via ao chão um
talentoso, criativo e original musico. Derramada ali, junto ao ainda aquecido corpo,
estava sua palheta cor branca, feita de material pvc, moldada ao teu bel-prazer.
Com ela, minutos atrás, ouvia-se na
claridade da antiguada oficina melódicas
e harmoniosas canções, transpostas do plano interior à guitarra, maravilha que
talvez não torne a ser escutada, não nesta cidade, onde todos caminham
apressadamente para o óbvio precipício.
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